Paulo Pinhal
Se os Edifícios Falassem
Se os edifícios de Mogi das Cruzes pudessem falar, certamente teríamos uma cacofonia de vozes expressando suas preocupações e descontentamentos com o estado atual do centro histórico da cidade. Imagine um desses prédios coloniais, com sua fachada desgastada pelo tempo, lamentando: "Ah, como sinto falta dos dias em que minha arquitetura era admirada e respeitada! Agora, sou apenas uma sombra do que já fui, cercado por construções modernas que não se importam com a harmonia do nosso bairro."
Os edifícios neoclássicos, com suas colunas majestosas e detalhes ornamentais, talvez suspirassem com nostalgia: "Lembro-me de quando éramos o coração pulsante da cidade, cada detalhe cuidadosamente projetado para refletir a elegância e o progresso de Mogi. Hoje, vejo-me sufocado por estruturas que não respeitam nossa história, que surgem sem consideração pelo que já existiu aqui."
Enquanto isso, um prédio moderno, recém-construído, poderia se defender: "Eu entendo que sou visto como intruso, mas não escolhi estar aqui. Fui erguido para atender às demandas de uma cidade em crescimento. No entanto, reconheço que minha presença poderia ser mais harmoniosa se houvesse um planejamento que respeitasse a essência de Mogi."
Os prédios mais antigos, aqueles que outrora foram o auge da sofisticação, agora se sentem negligenciados: "É triste ver como a falta de manutenção nos transforma de relíquias em ruínas. Não somos apenas velhos, somos testemunhas do tempo, e merecemos ser preservados como parte da identidade cultural da cidade."
A falta de políticas públicas eficazes é um tema recorrente entre essas vozes imaginárias. "Precisamos de apoio", clamariam em uníssono. "Sem incentivos para restauração e preservação, continuaremos a nos deteriorar. Somos parte da história de Mogi das Cruzes, e merecemos ser tratados com o devido cuidado."
Por fim, se os edifícios pudessem falar, eles nos lembrariam da importância de se encontrar um equilíbrio entre o novo e o antigo, respeitando a identidade única de Mogi das Cruzes. Afinal, cada estrutura tem uma história para contar, e é nosso dever garantir que essas histórias não sejam esquecidas em meio ao progresso desenfreado.









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