Governo corta 42% do seguro rural às vésperas do Plano Safra e acende alerta no campo
Decisão do Ministério da Fazenda, motivada por metas fiscais, retira R$ 445 milhões do orçamento do PSR e ameaça proteção de produtores contra riscos climáticos
Fotos de divulgação A menos de duas semanas do lançamento oficial do Plano Safra 2025/26, o governo federal impôs um duro golpe ao agronegócio nacional: cortou 42% do orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), ferramenta essencial para a segurança financeira de produtores frente a eventos climáticos extremos. A medida foi tomada pelo Ministério da Fazenda e executada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com o bloqueio de R$ 354,6 milhões e o contingenciamento de outros R$ 90,5 milhões, totalizando um rombo de R$ 445 milhões.
A decisão vem em nome do equilíbrio fiscal — mas à custa da previsibilidade no campo. Sem o subsídio governamental, muitos produtores, sobretudo os de pequeno e médio porte, não conseguirão contratar seguros para proteger suas lavouras contra enchentes, secas e outras adversidades. O risco, agora, recai integralmente sobre os ombros dos agricultores.
Fontes do Mapa revelaram à EXAME que o bloqueio ocorreu por pressão da equipe econômica, como parte de um esforço para cumprir a meta fiscal de 2025. A justificativa oficial ainda não foi apresentada, e a pasta da Agricultura optou por não comentar a decisão. O episódio evidencia, mais uma vez, a instabilidade das políticas públicas voltadas ao campo, sujeitas a cortes de última hora, mesmo quando o setor é considerado o motor do PIB brasileiro.
Para entidades do setor, como a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) e a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), o impacto será severo. Em nota conjunta, as instituições alertaram que o corte representa um "duro golpe à política de proteção contra riscos agroclimáticos", afetando diretamente os produtores que não têm condições de arcar com o custo integral das apólices.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que em abril solicitou um orçamento de R$ 4 bilhões para o seguro rural neste novo ciclo, ainda não se manifestou sobre os cortes, mas fontes próximas apontam que a medida causou frustração e preocupação generalizada entre produtores e cooperativas.
Apesar do baque, o governo planeja anunciar o novo Plano Safra até o dia 30 de junho. Interlocutores afirmam que o montante poderá ser semelhante — ou ligeiramente superior — aos R$ 475,56 bilhões da safra anterior. No entanto, esse possível crescimento de valores pode vir com juros mais altos em todas as linhas de crédito, exceto para a agricultura familiar, o que reforça o contraste entre o discurso de apoio ao setor e a prática orçamentária restritiva.
Análise crítica:
O corte no PSR não é apenas um ajuste fiscal — é um sinal perigoso de descontinuidade nas políticas estruturantes para o agronegócio. Num momento em que as mudanças climáticas aumentam os riscos de produção e a competitividade internacional exige resiliência e previsibilidade, retirar recursos do seguro rural é como desmontar o paraquedas antes do salto. O governo precisa decidir se quer de fato impulsionar a produção agrícola ou apenas fazer dela um discurso conveniente.
Conclusão:
A expectativa agora gira em torno da possibilidade de reversão parcial do contingenciamento ao longo do ano. Mas, com o plantio se aproximando e as incertezas fiscais pairando no ar, o produtor rural fica, mais uma vez, no centro de uma tempestade previsível — e evitável.









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