Carlos Lupi deixa Ministério da Previdência após escândalo de fraudes no INSS
Ministro pediu demissão dias após revelação de esquema que desviou bilhões de aposentados; investigação aponta omissão da pasta diante de alertas feitos ainda em 2023
Fotos de divulgação O ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, pediu demissão nesta sexta-feira (2), em meio à crise provocada pela revelação de um esquema bilionário de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. A decisão foi tomada após uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dias depois da deflagração da operação “Sem Desconto”, da Polícia Federal, que investiga o desvio de até R$ 6,3 bilhões por meio de descontos não autorizados nos benefícios previdenciários.
Em comunicado nas redes sociais, Lupi afirmou que seu nome "não foi citado em nenhum momento nas investigações", e que sempre apoiou as apurações desde o início. “Espero que as investigações sigam seu curso natural, identifiquem os responsáveis e punam, com rigor, aqueles que usaram suas funções para prejudicar o povo trabalhador”, escreveu.
Apesar da negativa de envolvimento direto, documentos apontam que Lupi foi alertado oficialmente sobre irregularidades já em junho de 2023, por meio de uma reunião do Conselho Nacional da Previdência Social. Na ocasião, o ministro reconheceu a gravidade da denúncia, mas alegou não haver condições para uma ação imediata, justificando a necessidade de um levantamento mais detalhado. A primeira medida efetiva do INSS só ocorreu quase um ano depois, em março de 2024.
A Controladoria-Geral da União (CGU) iniciou as apurações em 2023 e acionou a Polícia Federal após identificar indícios de crimes. O esquema envolvia associações de classe que realizavam descontos ilegais nos contracheques dos beneficiários, sob o pretexto de prestação de serviços como assessoria jurídica ou convênios de saúde. A CGU constatou que, em muitos casos, as autorizações eram forjadas por meio de assinaturas falsificadas.
No dia 23 de abril, a PF deflagrou a operação, cumprindo mandados de prisão, busca e apreensão e sequestro de bens. A ação resultou ainda na saída de Alessandro Stefanutto da presidência do INSS.
Carlos Lupi, que ocupava o cargo desde janeiro de 2023, já havia sido ministro do Trabalho no governo Lula e na gestão de Dilma Rousseff. Atual presidente do PDT, seu partido segue no governo com o comando do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, sob Waldez Góes. Com sua saída, o governo indicou Wolney Queiroz, também do PDT, como sucessor na Previdência.
A crise reacendeu pressões no Congresso por mais investigações e desgaste político para o Planalto, embora o governo descarte, por ora, a necessidade de uma CPI. A oposição, por sua vez, promete intensificar os questionamentos, sobretudo diante das suspeitas envolvendo entidades sindicais e possíveis vínculos com figuras próximas ao governo.
Enquanto isso, aposentados e pensionistas aguardam respostas e a reparação pelos prejuízos causados.








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